segunda-feira, 9 de abril de 2012

CNBB convoca fiéis para Vigília de Oração pela Vida

Na próxima quarta-feira, 11, o Supremo Tribunal Federal (STF) realiza o julgamento sobre a descriminalização do aborto de anencéfalos – casos em que o feto tem má formação no cérebro. A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou na Sexta-feira Santa, 06, uma carta a todos os bispos do país, convocando os fiéis para uma Vigília de Oração pela Vida nesta terça-feira, 10, às 18h, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Em agosto de 2008, por ocasião do primeiro julgamento do caso, a CNBB publicou uma nota que explicita a sua posição.
"A vida deve ser acolhida como dom e compromisso, mesmo que seu percurso natural seja, presumivelmente, breve. (...)Todos têm direito à vida. Nenhuma legislação jamais poderá tornar lícito um ato que é intrinsecamente ilícito. Portanto, diante da ética que proíbe a eliminação de um ser humano inocente, não se pode aceitar exceções. Os fetos anencefálicos não são descartáveis.  O aborto de feto com anencefalia é uma pena de morte decretada contra um ser humano frágil e indefeso. A Igreja, seguindo a lei natural e fiel aos ensinamentos de Jesus Cristo, que veio “para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10), insistentemente, pede,  que a vida seja respeitada e que se promovam políticas públicas voltadas para a eficaz prevenção dos males relativos à anencefalia e se dê o devido apoio às famílias que convivem com esta realidade", destaca a nota.
Leia, abaixo, a íntegra da carta da presidência da CNBB
Carta da presidência da CNBB
Irmãos no Episcopado,
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil jamais deixou de se manifestar como voz autorizada do episcopado brasileiro sobre temas em discussão na sociedade, especialmente para iluminá-la com a luz da fé em Jesus Cristo Ressuscitado, “Caminho, Verdade e Vida”.
Reafirmando a NOTA DA CNBB (P – 0706/08, de 21 de agosto de 2008) SOBRE ABORTO DE FETO “ANENCEFÁLICO” REFERENTE À ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL Nº 54 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, a presidência solicita aos irmãos no episcopado:
Promoverem, em suas arqui/dioceses, uma VIGÍLIA DE ORAÇÃO PELA VIDA, às vésperas do julgamento pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade legal do “aborto de fetos com meroanencefalia (meros = parte), comumente denominados anencefálicos” (CNBB, nota P-0706/08).
Informa-se que a data do julgamento da ADPF Nº 54/2004 será DIA 11 DE ABRIL DE 2012, quarta feira da 1ª Semana da Páscoa, em sessão extraordinária, a partir das 09 horas.
Com renovada estima em Jesus Cristo, nosso Mestre Vencedor da morte, agradecemos aos irmãos de ministério em favor dos mais frágeis e indefesos,
Cardeal Raymundo Damasceno Assis     Dom José Belisário da Silva        Dom Leonardo Steiner

Arcebispo de Aparecida                     Arcebispo de São Luiz               Bispo Auxiliar de Brasília

Presidente da CNBB                         Vice Presidente da CNBB                 Secretário Geral da CNBB



FONTE: CANÇÃO NOVA

Jovens católicos, judeus e muçulmanos se reúnem no RJ

No dia 19 de abril, às 19h, a Comissão de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da Arquidiocese do Rio de Janeiro dará continuidade às reuniões entre jovens católicos, judeus e muçulmanos, no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, no Rio de Janeiro.
Os encontros, que vêm acontecendo desde novembro do ano passado, já foram realizados no Hillel – casa de cultura e encontros da comunidade judaica, na Lagoa – e na Mesquita da Luz, na Tijuca.
Segundo o Diácono Nelson Águia, o objetivo do grupo é iniciar atividades mais concretas, como: ações sociais, encontros de diálogo e partilha, momentos de oração em conjunto, momentos de lazer e o que os jovens participantes pretenderem.

FONTE: CANÇÃO NOVA

Bento XVI ressalta importância das mulheres na história da Igreja

Junto aos fiéis e peregrinos reunidos em Castel Gandolfo, o Papa pediu que Maria ajude cada um a experimentar a presença viva do Senhor Ressuscitado



Durante as narrativas da paixão e da morte de Jesus, elas estavam lá. E foram elas, as mulheres, a receber primeiramente o anúncio da ressurreição de Cristo. Plenas de temor e alegria elas correram para dar a notícia para os discípulos.
“Em todos os Evangelhos, as mulheres têm um grande lugar nas narrações das aparições de Jesus Ressuscitado, como também naquelas sobre a paixão e a morte de Jesus. As mulheres viveram uma experiência de ligação especial com o Senhor, que é fundamental para a vida concreta das comunidades cristãs, e isso é visto sempre, em cada época, não só no início do caminho da Igreja”, salientou o Papa Bento XVI durante a proclamação do Regina Coeli na manhã desta segunda-feira, 9.
O Santo Padre ressaltou aos fiéis e peregrinos reunidos diante do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, de modo particular, a figura da Virgem Maria no Mistério Pascoal, “evento estupendo que transformou a história e dá sentido a existência de cada homem”.
“Justamente por meio da experiência transformadora da Páscoa de seu Filho, a Virgem Maria se torna também Mãe da Igreja, isto é de cada um daqueles que crêem e de toda sua comunidade”, destacou o Pontífice.

Festa de São Jorge Padroeiro da Cidade e da Diocese de Ilhéus De 14 á 23 de Abril de 2012.

Tema Central: Formamos a Igreja Missionária, Vivendo em Comunidade
“O Compromisso Missionário da Igreja, Constitui Também, neste Início de Terceiro Milênio uma Urgência” João Paulo II

 PROGRAMAÇÃO
1ª. noite - sábado 14/04
Sub tema: “A Igreja comunidade de ungidos e enviados pelo santo batismo”.
Textos Bíblicos: Ef 4,1-13; Sl 46; Mt 28,19ª-20b.

Dedicada: Às Famílias
Convidados: Capelania  São Paulo Apóstolo, Comunidade da Vitória, Pastoral Familiar, ECC, Cursilho, Comerciantes, Comerciários, Sindicato dos Empregados do Comércio, Taxistas, Motoboys e Motoqueiros.
Responsável: Pastoral Familiar     Animação: Só o Amor Constrói


2ª. noite - domingo 15/04
Sub tema: “A Igreja, povo de Deus e corpo místico de Cristo”.
Textos Bíblicos: Liturgia Dominical.
Dedicada: Juventude em Geral
Convidados: Pastoral da Juventude, Cursilho de Jovens, Vinde e Vede, Escalada, JC, ENEUC; Seminário São Jorge dos Ilhéus e Instituto de Teologia de Ilhéus (ITI)
Responsável: Liturgia – Juventude      Animação: Grupo AVA


3ª. noite - segunda-feira 16/04
Sub tema: “A Igreja, portadora da missão salvífica de Cristo”.
Textos Bíblicos: Ef 4,1-13; Sl 46; Mt 28,16-20.
Dedicada: Viúvos e Viúvas.
Convidados: Paróquias Nossa Senhora Aparecida (Malhado), Santo Antonio (Barra), Sagrado Coração de Jesus (Iguape); Legião de Maria; Colégios> Estadual, Paulo Américo e Estado do Ceará.
Responsável: Legião de Maria     Animação: Grupo de Canto do Outeiro


4ª. noite – terça-feira 17/04
Sub-tema: “A Igreja, comunidade dos que nascem da missão e vivem para a missão”. Textos Bíblicos: Gl 6,14-18; Sl 65; Lc 10,1-12.17-20.
Dedicada: A Área da Saúde.
Convidados: Profissionais da Saúde, 6ª DIRES, Secretaria Municipal de Saúde, Hospitais> De Ilhéus, Regional, São José, Bartolomeu, São Jorge e COCIL; Colégios> Luís Eduardo Magalhães, Fênix e Padre Luís Palmeira; Paróquias> São João Batista (Pontal), Santíssima Trindade (Vilela); Grupo Nossa Senhora das Graças, Pia União de Santo Antonio, Cáritas Diocesana, Cúria Diocesana e Pastoral da Criança.
Responsável: Pia União de Santo Antonio     Animação: Coral Dom Eduardo


5ª. noite – quarta-feira 18/04
Sub tema: “A Igreja, lugar privilegiado da escuta e vivência da Palavra de Deus”.
Textos Bíblicos: Jr 31,31-34; Sl 50(51); Mt 16, 13-23.
Dedicada: Às mulheres
Convidados: Rotary Club, Lions> Pontal, Centro, Norte; Paróquias> Santa Terezinha (Av. Esperança), Nossa Senhora da Conceição (Banco da Vitória); Colégios> Nossa Senhora da Piedade, Santa Ângela, IME e São Francisco; Grupo da Mãe Peregrina.
Responsável: Grupo da Mãe Peregrina     Animação: Grupo de Canto da Vitória


6ª. noite - quinta-feira 19/04
Sub   tema: “Uma Igreja samaritana acolhe, restaura, celebra e envia à missão”. Textos Bíblicos: Gl 1,6-12; Sl 110 (111); Lc 10,25-37.
Dedicada: Aos Homens
Convidados: Grupo da Missa para os Homens da Cidade; Paróquias Santa Rita de Cássia (Conquista), Nossa Senhora de Guadalupe (Pacheco), Pastoral Catequética, Paróquia São Francisco (Nelson Costa); Colégios CEAMEV e IDEAL.
Responsável: Pastoral Catequética     Animação: Grupo da Missa para os Homens


7ª. noite - sexta-feira 20/04
Sub tema: “O discípulo missionário vive e celebra a sua fé em comunidade”. Textos Bíblicos: 2Tm 1,6-8.13-14; Sl 94; Lc 17,5-10
Dedicada: À Melhor Idade.
Convidados: Grupo da Melhor Idade, Abrigo São Vicente, Apostolado da Oração, Empresas de Turismo, Secretaria de Turismo; Colégios> Militar, São Jorge, Vitória e Sá Pereira; Paróquias> Nossa Senhora da Vitória (Bairro Nossa Senhora da Vitória) e Nossa Senhora da Escada (Olivença).
Responsável: Pastoral do Dízimo     Animação: Coral Dom Eduardo


8ª. noite - sábado 21/04
Sub tema: “Uma Igreja missionária luta por um mundo mais justo, fraterno e solidário”. Textos Bíblicos: 2Cor 1,1-7; Sl 33(34); Mt 5,1-12
Dedicada: Aos Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário
Convidados: Câmara de Vereadores, Prefeitura Municipal e Secretarias, Fórum, OAB, Promotoria Pública, Justiça Federal, Advocacia Geral da União, Ministério Público Estadual e Federal, Procuradoria da Fazenda Nacional e Defensoria Pública, Movimento dos Focolares; Ministros Extraordinários da Comunhão; Comunidade do Outeiro.
Responsável: Ministros e Focolares     Animação: Só o Amor Constrói


9ª. noite - domingo 22/04
Sub tema: “Igreja, comunidade de novas comunidades numa nova realidade”.
Textos Bíblicos: Liturgia Dominical.
Dedicada: À Área da Segurança
Convidados: Forças Armadas> Exército, Marinha e Aeronáutica; Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil; Bombeiros; Guarda Municipal; Empresas de Segurança; 13ª CIRETRAN; Todos os homens com o nome de Jorge e Pastoral Litúrgica.
Responsável: Comunidade da Vitória e Comunidade do Outeiro     Animação: Grupo AVA


Dia da festa Dedicada a São Jorge – 23 de Abril ( Segunda – Feira )

Queima de Fogos – 00h00
Missa das Intenções – 07h00     Animação: Grupo de Canto do Outeiro
Missa Solene – 09h30; Presidida pelo Pároco e Vigário Geral da Diocese Padre Ednilson Vivas e Concelebrada pelos demais Padres da Nossa Diocese.      Animação: Coral Dom Eduardo
Caminhada de Fé  – 16h30

Encerramento: Benção do Santíssimo Sacramento

 “Anunciar o Evangelho Não é Glória Para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim se não Evangelizar”. (1 Cor 9,17)
 

 FONTE: SITE DA DIOCESE DE ILHÉUS

quinta-feira, 5 de abril de 2012

"Eu vos dou um novo mandamento

A beleza da Quinta-feira Santa
Na véspera da festa da Páscoa, Jesus, por saber que havia chegado a Sua hora de voltar para o Pai e que este era o momento do supremo amor, pois Ele mesmo “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (cf. Jo 13,1), durante a Santa Ceia lavou os pés dos discípulos e instituiu a Eucaristia.
A Igreja, com o mesmo amor de Jesus pelos homens, celebra na Quinta-feira Santa o mistério da instituição da Eucaristia e realiza novamente a cerimônia dos lava-pés. Para entender o que significa esse belo sinal de Cristo, precisamos voltar ao tempo e entender a cultura judaica. Todo aquele que se sentava à mesa, tinha que passar pelo rito da purificação exterior, caracterizado pelo ato de lavar-se. Normalmente esse gesto era realizado pelos servos.
 Quando Jesus se despojou de Suas vestes e colocou o manto dos servos para lavar os discípulos já causou grande espanto, o primeiro gesto do Rei que se despoja de Seu manto glorioso e se rebaixa como servo. Pedro, assustado a princípio, queria impedir o Senhor de realizar tal ato, mas foi exortado imediatamente por Ele, não lhe restando outra atitude a tomar a não ser a de suplicar ao Mestre que não apenas lavasse os seus pés, mas sim, todo o seu corpo.
 Jesus purifica os discípulos por meio de Suas palavras e gestos, assim, nós somos chamados a entrar com Ele em Seu mistério, e purificados pelo Senhor, mudar toda a nossa forma de existir e de pensar, nos colocando a partir disso como servos dos homens.
A Sagrada Eucaristia é o sacramento em que Jesus entrega o Seu Corpo e o Seu Sangue – Ele próprio, por nós, para que também nos entreguemos a Ele em amor e nos unamos a Ele na Sagrada Comunhão. É o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, que Ele instituiu para perpetuar o sacrifício da cruz no decorrer dos séculos até o Seu regresso, confiando assim à Sua Igreja o memorial da Sua Morte e Ressurreição. É o sinal da unidade, o vínculo da caridade, o banquete pascal, em que se recebe Cristo, nossa alma se enche de graça e nos é dado o penhor da vida eterna.
Portanto, a Eucaristia é um memorial no sentido que torna presente e atual o sacrifício que Cristo ofereceu ao Pai, uma vez por todas, na cruz, em favor da humanidade. O carácter sacrificial da Eucaristia manifesta-se nas próprias palavras da instituição dela: "Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós” e “este cálice é a nova aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós" (Lc 22,19-20). O sacrifício da cruz e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício. Idênticos são a vítima e Aquele que oferece, diverso é só o modo de oferecer-se: cruento na cruz, incruento na Eucaristia.
A Igreja participa do Sacrifício Eucarístico de forma direta, pois, na Eucaristia, o sacrifício de Cristo torna-se também o sacrifício dos membros do Seu Corpo. A vida dos fiéis, o seu louvor, o seu sofrimento, a sua oração, o seu trabalho são unidos aos de Cristo. Enquanto sacrifício, a Eucaristia é também oferecida por todos os fiéis vivos e defuntos em reparação dos pecados de todos os homens e para obter de Deus benefícios espirituais e temporais. A Igreja do céu está unida também à oferta de Cristo.
Jesus Cristo está presente na Eucaristia de um modo único e incomparável. De fato, está presente de modo verdadeiro, real, substancial: com o Seu Corpo e o Seu Sangue, com a Sua Alma e a Sua Divindade. Nela está presente em modo sacramental, isto é, sob as Espécies Eucarísticas do pão e do vinho, Cristo completo: Deus e homem.
Comecemos desde já a pedir ao Espírito Santo que nos prepare para podermos entender cada expressão e cada gesto de Jesus Cristo, a fim de entrarmos em comunhão com Ele e, assim, colocarmos toda a nossa existência a Seu serviço, lavando os pés dos irmãos e tendo uma vida de profundo amor pela Eucaristia, na certeza de que o Senhor, naquela noite, não nos deixou um símbolo, mas a própria realidade: Ele mesmo, sob as espécies do pão e do vinho.
FONTE: CANÇÃO NOVA

Com a obediência é possível renovar a Igreja, ressalta Papa



Na manhã desta quinta-feira, 5, o Papa Bento XVI presidiu, na Basílica de São Pedro, a Santa Missa do Crisma. A liturgia é celebrada em todas as catedrais do mundo com a consagração dos óleos dos catecúmenos, da unção dos enfermos e do crisma.
Participaram da celebração, cerca 1600 cardeais, bispos, párocos romanos, sacerdotes diocesanos e religiosos que renovaram suas promessas sacerdotais. É nesta Missa que o bispo, através da imposição das mãos e da oração consagratória, integra os padres ao sacerdócio de Jesus Cristo, para serem “consagrados na verdade” (Jo 17, 19).
“Mas somos consagrados também na realidade da nossa vida? Somos homens que atuam a partir de Deus e em comunhão com Jesus Cristo?”, questionou o Papa em sua homilia. Para isso são necessárias duas coisas, ressalta o Papa: uma união íntima, mais ainda, uma configuração a Cristo, uma renúncia àquilo que é exclusivamente individual, à tão falada auto-realização. 
De fato, é pedido que cada um deixe de lado a própria vida para colocá-la a disposição de Cristo. Então pode surgir outra pergunta: “O que ganho eu com isso?” e ainda “Como se deve realizar esta configuração a Cristo, que não domina, mas serve, não toma, mas dá. Como se deve realizar na situação tantas vezes dramática da Igreja de hoje?”
“Recentemente, num país europeu, um grupo de sacerdotes publicou um apelo à desobediência, referindo ao mesmo tempo também exemplos concretos de como exprimir esta desobediência, que deveria ignorar até mesmo decisões definitivas do Magistério, como, por exemplo, na questão relativa à Ordenação das mulheres, a propósito da qual o beato Papa João Paulo II declarou de maneira irrevogável que a Igreja não recebeu, da parte do Senhor, qualquer autorização para o fazer”, afirmou Bento XVI.
Será a desobediência um caminho para renovar a Igreja? – questiona ainda o Papa. Realmente Cristo corrigiu certas tradições humanas que ameaçavam sufocar a Palavra e a vontade de Deus, mas para despertar novamente a obediência à verdadeira vontade de Deus, à sua palavra sempre válida.
“Queridos amigos, daqui se vê claramente que a configuração a Cristo é o pressuposto e a base de toda a renovação”, enfatiza o Pontífice. Para saber como funciona a renovação e como servi-la, basta olhar para os Santos, indica o Papa. É preciso entender também que “Deus não olha para os grandes números nem para os êxitos exteriores, mas consegue as suas vitórias sob o sinal humilde do grão de mostarda”.

Como entender a fé: O Ano da Fé, instituído por Bento XVI em razão das comemorações pelos 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II, deve ser uma ocasião para anunciar a mensagem da fé com novo zelo e nova alegria, salienta o Pontífice.
A fonte primária de conhecimento, sem dúvida está na Sagrada Escritura, mas os textos do Concílio Vaticano II e o Catecismo da Igreja Católica são os instrumentos essenciais que indicam, de maneira autêntica, aquilo que a Igreja acredita a partir da Palavra de Deus.
“Não anunciamos teorias nem opiniões privadas, mas a fé da Igreja da qual somos servidores”, destaca Bento XVI.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O Som Livre da Música Católica

Polêmica? Crítica construtiva? Mudança de opinião? Quebra de paradigmas? Quem sabe…


Desde agosto de 2008, quando o Padre Fábio de Melo lançou seu primeiro CD pela gravadora Som Livre, intitulado Vida, ouço muita coisa boa e também muita coisa ruim sobre os artistas católicos se “renderem” às gravadoras seculares (não religiosas, populares). Depois dele, outros, como Rosa de Saron, Adriana e Celina Borges, também seguiram o mesmo rumo.
Ainda não quero citar os outros padres. Depois falamos deles.

 Desde o começo de 2011 fiquei sabendo que a Banda Dominus e o Anjos de Resgate, grandes nomes da música católica, também fecharam com a Som Livre. Mas até então eu não podia divulgar. Mas agora já pode! Por isso, resolvi escrever este artigo somente hoje (final de abril de 2011), porque acho extremamente importante o exemplo do Anjos nesta partilha.
Vi muitos líderes de grandes movimentos da Igreja Católica criticando a atitude dos artistas que se “rendem” às gravadoras como a Som Livre. E olha que, entre eles, muitos são pregadores e outros até membros de grandes comunidades religiosas. Alguns até tiveram a infeliz ideia de dizer que estes artistas estão fechando contrato com o demônio, outros dizem que são altamente contra a evangelização partir para este caminho, etc. Para não dizer que há certa inveja (“dor de cotovelo”, gíria usada em algumas regiões do Brasil), prefiro acreditar ser somente falta de informação ou puro preconceito. Vou pensar assim…
Em fevereiro de 2011, a Som Livre lançou um box maravilhoso com 4 CDs, chamado Deus no Coração. Uma coletânea com 56 músicas de artistas católicos do Brasil todo, uma grande valorização e um grande presente para a música católica brasileira. Neste box, estão canções de artistas de grandes nomes, como Padre Fábio de Melo, Rosa de Saron, Adriana, Anjos de Resgate, Ziza Fernandes, Eliana Ribeiro, Eros Biondini, Vida Reluz, Adoração e Vida, Padre Zezinho, DOM, entre muitos outros, contando também com artistas que estão no começo de sua caminhada e/ou que não tinham tido oportunidades de divulgar seu trabalho e expandir a evangelização com suas missões, como Marília Mello, Adrielle Lopes, Kennia, Mariani e também o Canal da Graça, ministério do qual sou coordenador e um dos vocalistas.
Depois que este box foi lançado em âmbito nacional, com direto até a ter propaganda no horário nobre da Rede Globo, imagine a reação de alguns destes “críticos” que não aceitam a Som Livre… Alguns silenciaram depois de ver vários nomes que nunca imaginariam “fecharem contrato com o demônio” e fazer parte desta coletânea. Outros continuaram com suas conclusões e comentários infundados, aumentando suas raivas e postando muitas besteiras em suas redes sociais pela Internet (santos Facebooks, Twitters e Orkuts da vida moderna… Hehehehe).
Aonde queremos chegar com nossas músicas? O objetivo é tocar somente para nossas comunidades, nossos retiros e nossas Igrejas? Tocar para quem já participa da Igreja é “fácil”. Avançar para águas mais profundas, como a palavra de Deus e a Igreja nos pedem, é mais complicado. E quando temos a oportunidade de nos juntarmos a grandes meios de comunicação e expandir nossa missão, nós não vamos? E ainda por cima criticamos?
“Vendo isto, os fariseus disseram aos discípulos: ‘Por que come vosso mestre com os publicanos e com os pecadores?’ Jesus, ouvindo isto, respondeu-lhes: ‘Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes’” (Mt 9, 11 – 12).
Quer falar de números? Ok! Pegando o Padre Fábio de Melo como exemplo. Ao lançar um CD novo por gravadoras católicas, demorava certo tempo para vender 40 mil cópias, número hoje considerado disco de ouro. Seu primeiro CD pela Som Livre vendeu pouco menos de 1 milhão de cópias! Já o primeiro CD do Padre Marcelo Rossi, Músicas para Louvar o Senhor, lançado em 1998 pela Universal Music, é o CD mais vendido de todos o tempos no Brasil. Com ele, alcançou a marca de mais de 3 milhões e 400 mil cópias. São mais de 12 milhões, contando todos os seus projetos musicais lançados até hoje. E alguns insistem em não entender que o trabalho, desta forma, chega a muito mais corações, chega a pessoas que nunca teriam oportunidades de conhecer, chega a pessoas que, muitas vezes, não possuem intimidade com Deus.
“Segmentar os meios de comunicação como ‘católico’ e ‘não católico’ é dizer que nos meios seculares está o diabo. Em um espaço que conseguimos falar, em uma TV que não é católica, podemos mudar a vida das pessoas que não conhecem a Deus. Temos que usar a TV, o rádio e a Internet…” (Padre Juarez de Castro, Programa “Papo Aberto”, TV Canção Nova, 04 de abril de 2011).
Vi alguns destes “críticos” questionarem o que seriam das nossas gravadoras (católicas), com alguns artistas debandando para as gravadoras seculares. Minha resposta pode ser dada agora, como citei no início, com o Anjos de Resgate. Eraldo Mattos, baixista e líder do Anjos, é dono da CODIMUC, considerada uma das maiores gravadoras católicas do Brasil. O novo CD do Anjos de Resgate, comemorando 10 anos de missão do ministério, está sendo lançado pela Som Livre.

Capa de LP do Pe. Zezinho da década de 80

Outros questionaram o porquê do Padre Zezinho, scj., pioneiro em levar nossa música à grande mídia, nunca ter vinculado seus trabalhos às gravadoras populares, colocando esta questão como um dos motivos em não concordar com nada do que eu disse acima. Eis a resposta, que eu também não sabia: na década de 80, o próprio Padre Zezinho lançou um LP e CASSETE pela Som Livre. Pois é. Mais uma vez, o Padre Zezinho foi o pioneiro! Simples assim! Nem preciso me prolongar…
Muitos CDs e DVDs católicos, lançados por gravadoras católicas, são AINDA vendidos em grandes lojas populares. Se assim fôssemos questionar, poderíamos pedir, com todo o amor: “gravadoras católicas, retirem os CDs que chegaram às Lojas Americanas, ao Submarino, ao Extra, ao Carrefour e a outras grandes lojas! São campos do demônio! Não queremos evangelizar lá. Queremos somente os já ‘convertidos’!”. Senhor, misericórdia!
Olhando para a história da música católica brasileira e vendo que o rock católico foi muito criticado em seu início, até mesmo “amordaçado” por muitas alas da Igreja, não há muito mais o que se questionar destes pensamentos de hoje. Amanhã terão que aceitar e pensar diferente. Faz parte da evolução.
Com os outros padres cantores, Antonio Maria, Hewaldo Trevisan, Juarez de Castro, Robson de Oliveira, Reginaldo Manzotti, entre outros, o comentário é um pouco mais tranquilo, pois a maioria destes sacerdotes já nasceu da mídia secular, já fez parte dela desde o início, por isso nem sempre são “alvos” dos nossos críticos.
Termino minha reflexão de hoje com uma frase bem propícia para este momento: “Não abra exceções no seu cristianismo. Se o Evangelho não pode ir com você, não vá!” (Padre Fábio de Melo).
Padre, parece que alguns estão querendo fazer o contrário: “aonde você pode ir com o evangelho, não vá. Para que ‘perder’ seu tempo?” Ou entenderam tudo errado! Neste caso, precisam começar a ler o artigo novamente!

OBS.: Não citei neste texto os ministérios que possuem seus trabalhos em missas, grupos de oração e outros movimentos da Igreja, porque o foco não é este. Por isso, coloquei entre aspas que tocar na Igreja é “fácil”. Todos sabemos que também não é, que existem muitas responsabilidades, renúncias, etc. Mas já foi falado muita coisa sobre isso em outros artigos e também partilharei mais no futuro!
Santa Cecília, rogai por nós!

Catequese Bento XVI - 04/04/2012

    CATEQUESE
- Praça São Pedro
Quarta-feira, 04 de abril de 2012





Queridos irmãos e irmãs,
Estão ainda vivas em mim as emoções suscitadas pela recente viagem apostólica em México e Cuba, sobre a qual gostaria de concentrar-me no dia de hoje. Surge espontaneamente da minha alma, a ação de graças ao Senhor: na sua providência, Ele quis que eu estivesse pela primeira vez como Sucessor de Pedro nestes dois países, que conservam indelével memória das visitas realizadas pelo Beato João Paulo II. O bicentenário da Independência do México e de outros países latino-americanos, os 20 anos das relações diplomáticas  entre México e Santa Sé e o quarto centenário do encontro da imagem da Virgem da Caridade do Cobre, na República de Cuba, foram as ocasiões da minha peregrinação. 

Com isso, quis abraçar todo o Continente, convidando todos a viver juntos na esperança e no empenho concreto de caminhar unidos rumo a um futuro melhor. Sou grato ao Senhor presidente de México e Cuba, que com apreço e cortesia me deram as suas boas-vindas, como também às outras autoridades. Agradeço de coração o arcebispo de León, de Santiago de Cuba e de Havana e os outros venerados irmãos no episcopado, que me acolheram com grande afeto, como também aos seus colaboradores e a todos os que se envolveram generosamente nesta minha visita pastoral. Foram dias inesquecíveis de alegria de esperança que ficarão gravados no meu coração!

A primeira etapa foi em León, no estado de Guanajuato, centro geográfico do México. Aqui uma grande multidão em festa me reservou uma extraordinária e vivaz acolhida, como sinal do abraço caloroso de todo o povo. Desde a cerimônia de boas-vindas pude colher a fé e o calor dos sacerdotes, das pessoas consagradas e dos fiéis leigos. À presença dos expoentes das Instituições, de numerosos bispos e de representantes da Sociedade, enfatizei a necessidade de reconhecimento e de tutela dos direitos fundamentais da pessoa humana, entre os quais destaquei a liberdade religiosa, assegurando a minha proximidade a quantos sofrem por causa das chagas sociais, dos antigos e novos conflitos, da corrupção e da violência. Repenso com profunda gratidão à fila interminável de gente ao longo das estradas, que me acompanhou com entusiasmo. Naquelas mãos erguidas em gesto de saudação e afeto, naqueles rostos felizes, naqueles gritos de alegria, nos quais colhi e firme esperança dos cristãos mexicanos, esperança que ficou acesa nos corações apesar dos momentos difíceis da violência, que não deixei de citar e para as vítimas dirigi uma reflexão, podendo consolar pessoalmente algumas. No mesmo dia, encontrei muitas crianças e adolescentes, que são o futuro da nação e da Igreja. A alegria inexaurível deles, expressa em fortes cantos e músicas, como também pelo olhar e gestos deles, exprimiam o forte desejo de todos os jovens do México, da América Latina e dos Caribe de poder viver em paz, em serenidade e harmonia, em uma sociedade mais justa e reconciliada.

Os discípulos do Senhor devem fazer crescer a alegria do ser cristão, a alegria de pertencer à sua Igreja. Desta alegria nascem também as energias para servir Cristo nas situações difíceis e de sofrimento. Recordei esta verdade à imensa multidão reunida para a celebração eucarística dominical no Parque do Bicentenária de León. Exortei todos a confiar na bondade de Deus Onipotente que pode mudar a partir de dentro do coração, as situações insuportáveis e obscuras. Os mexicanos responderam com a fé ardente deles, na adesão deles ao Evangelho. Reconheci mais uma vez, os sinais consolantes de esperança do Continente. O último evento da minha Visita no México foi, ainda em León, a celebração das Vésperas na Catedral de Nossa Senhora da Luz, com os bispos mexicanos e os representantes dos Episcopados da América Latina. Manifestei a minha proximidade ao empenho deles diante dos vários desafios e dificuldades, e a minha gratidão por aqueles que semeiam o Evangelho em situações complexas e geralmente não privadas de limitações. Os encorajei a serem pastores zelosos e guias seguros, suscitando em toda parte comunhão sincera e adesão cordial ao ensinamento da Igreja. Deixei portanto, a amada terra mexicana onde experimentei uma devoção e um afeto especial pelo Vigário de Cristo. Antes de partir, encorajei o povo mexicano a permanecer fiel ao Senhor e à sua Igreja, bem ancorado às raízes cristãs.

No dia seguinte iniciou a segunda parte da minha Viagem Apostólica com a Chegada a Cuba, onde fui antes de tudo para sustentar a missão da Igreja Católica, empenhada em anunciar com alegria o Evangelho, apesar da pobreza de meios e as dificuldades ainda a serem superadas para que a religião possa desenvolver o próprio serviço espiritual e formativo no âmbito publico da sociedade.

Isso eu quis sublinhar chegando a Santiago de Cuba, segunda cidade da Ilha, não deixando de evidenciar as boas relações existentes entre o Estado e Santa Sé, finalizadas a serviço da presença viva e construtiva da Igreja Local. Assegurei, além disso, que o Papa leva no coração, as preocupações e as aspirações de todos os cubanos, especialmente daqueles que sofrem pela limitação da liberdade.

A primeira Santa Missa  que tive a alegria de celebrar em terra cubana, se colocava no contexto do IV centenário da descoberta da imagem da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba. Se tratou de um momento de forte intensidade espiritual, com a participação atenta e orante de milhares de pessoas, sinal de uma Igreja que vem de situações não fáceis, mas com um testemunho vivaz de caridade e de presença ativa na vida do povo. Aos católicos cubanos que, juntos a toda população, esperam um futuro sempre melhor, dirigi o convite de dar um novo vigor à sua fé e a contribuir, com a coragem do perdão e da compreensão, à construção de uma sociedade aberta e renovada, onde exista sempre mais espaço para Deus, porque quando Deus é descartado, o mundo se transforma em um lugar sem habitação para o homem. Antes de deixar Santiago de Cuba estive no Santuário de Nossa Senhora da Caridade do Cobre, tão cara ao povo cubano. A peregrinação da imagem de Nossa Senhora da Caridade nas famílias da Ilha, suscitou grande entusiasmo espiritual, representando um significativo evento de nova evangelização e uma ocasião de redescoberta da fé. À Virgem Santa recomendei sobretudo as pessoas que sofrem e os jovens cubanos.

A segunda etapa Cubana foi Havana, capital da ilha. Os jovens, em particular, foram os principais protagonistas da exuberante acolhida no percurso em direção a Nunciatura, onde tive a oportunidade de estar com os bispos do País para falar dos desafios que a Igreja cubana é chamada a enfrentar, na consciência que o povo olha para ela com crescente confiança. No dia seguinte, eu presidi a Santa Missa na Praça principal de Havana, repleta de gente. A todos recordei que Cuba e o mundo têm necessidade de mudanças, mas estas só acontecerão se cada um se abre à verdade integral sobre o homem, pressuposto  imprescindível para atingir a liberdade, e decide semear ao redor de si reconciliação e fraternidade, fundando a própria vida sobre Jesus Cristo: Ele somente pode dispersar as trevas do erro, ajudando-nos a derrotar o mal e tudo aquilo que nos oprime. Quis, ainda, reforçar que a Igreja não pede privilégios, mas pede de poder proclamar e celebrar também publicamente a fé, levando a mensagem de esperança e de paz do Evangelho em todos os ambientes da sociedade. Ao apreçar os passos até então realizados neste sentido pelas autoridades cubanas, sublinhei que é necessário prosseguir neste caminho de sempre mais plena liberdade religiosa.

No momento de deixar Cuba, dezenas de milhares de cubanos vieram a saudar-me ao longo do caminho, apesar da forte chuva. Na cerimônia de despedida recordei que na hora presente os diversos componentes da sociedade cubana são chamados a um esforço de sincera colaboração e de diálogo paciente para o bem da pátria. Nesta prospectiva, a minha presença na ilha, como testemunhas de Jesus Cristo, quis ser um encorajamento a abrir as portas do coração a Ele, que é fonte de esperança e de força para fazer crescer o bem. Por isto, saudei os cubanos exortando-os a reavivar a fé dos seus pais e a edificar um futuro sempre melhor.

Esta viagem ao México e a Cuba, graças a Deus, teve a desejada meta pastoral. Possam os povos mexicanos e os cubanos tirar frutos abundantes para construir na comunhão eclesial e com coragem evangélica, um futuro de paz e fraternidade.

Queridos amigos, amanhã à tarde, com a Santa Missa da Ceia do Senhor, entraremos no Tríduo Pascal, cume de todo o Ano Litúrgico, para celebrar o Mistério Central da fé: a paixão, morte e ressurreição de Cristo. No Evangelho de São João, este momento culminante da missão de Jesus é chamado de 'sua ora', que se abre com a última ceia (Jo 13,1). Toda a vida de Jesus é orientada a esta hora, caracterizada de dois aspectos que se iluminam reciprocamente: é a hora da passagem (metabasis) e é a hora do amor (ágape) até o fim. De fato, é exatamente o amor divino, o Espirito do qual Jesus é repleto, que faz 'passar' Jesus através o abismo do mal e da morte e o faz 'sair' no espaço novo da ressurreição. E o ágape, o amor, que opera esta transformação, assim que Jesus ultrapassa os limites da condição humana marcada pelo pecado e supera a barreira que tem o homem prisioneiro, separado de Deus e da vida eterna. Participando com fé das celebrações litúrgicas do Tríduo Pascal, sejamos convidados a viver esta transformação realizada pelo ágape. Cada um de nós foi amado por Jesus até o fim, isto é, até o dom total de si na cruz, quando gritou: “ Está consumado!”. Deixemo-nos alcançar por este amor, deixando-nos transformar, para que verdadeiramente se realize em nós ressurreição. Vos convido, portanto, a viver com intensidade o Tríduo Pascal e desejo a todos uma Santa Páscoa! Obrigada!


FONTE: CANÇÃO NOVA

Semana Santa: entenda as tradições que antecedem a Páscoa



Com a celebração do Domingo de Ramos no último domingo, 1º, os católicos iniciaram a Semana Santa, que todos os anos mobiliza milhares de fiéis para reviver os últimos passos de Jesus Cristo. Diversas tradições são realizadas ao longo de toda a semana em preparação ao acontecimento mais importante para esses religiosos: a Páscoa do Senhor.
De acordo com o assessor da Pastoral Litúrgica da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Hernaldo Pinto Farias, o povo tem uma religiosidade muito marcada e, nesses dias da Semana Santa, são muitas as pessoas que procuram a Igreja.
 "As pessoas se identificam com o Cristo morto na Cruz, com o Cristo sofredor, das lágrimas, com o Cristo que acolhe as mulheres que choram, que se identificam também por causa dos seus sofrimentos, das suas dores", explicou.
 O padre destacou que essa identificação é importante porque leva a uma vivência da fé, a uma intimidade com o Cristo que, na Sua Cruz, acolhe os sofrimentos de todos os povos.

O sacerdote, porém, ressaltou a constante necessidade de formação para vivenciar bem estes dias, embora a Igreja já invista nesse processo formativo. “Quanto mais somos formados, sobretudo no campo litúrgico, melhor vivemos nossa fé. Nosso crescimento não é apenas de estatura, de idade, mas crescemos também no campo da fé”, enfatizou.

Tradições popularesNem todas as celebrações da Semana Santa são universais. Procissão do Encontro, na Quarta-feira Santa, Procissão do Fogaréu, conhecida também como Noite da Prisão, Procissão do Enterro ou do Senhor Morto e Malhação do Judas no Sábado de Aleluia são algumas ações que não são realizadas em todas as paróquias.
 A explicação, segundo padre Hernaldo, é que estas não são celebrações prescritas pela Igreja para a Semana Santa, mas fazem parte do universo da religiosidade popular e acabam sendo mais intensas em alguns lugares e em outros não.
Essas tradições podem ser vistas como práticas da piedade popular, o que a Igreja não condena. De acordo com padre Hernaldo, a piedade popular tem o seu valor na experiência de fé do povo; são práticas que ajudam o povo a se colocar nessa intimidade com o Senhor.  “É uma forma de eles manifestarem sua fé, à sua maneira, sim, mas o que temos que fazer que a Igreja sempre solicitou é que essas práticas não sejam fins em si mesmas, ou seja, que elas conduzam à verdadeira liturgia”, ressaltou padre Hernaldo.
Significado das tradições da Semana Santa:
- Missa de Ramos: abre a Semana Santa. Na procissão, o louvor do povo com os ramos é o reconhecimento messiânico da pessoa de Jesus

- Missa dos Santos Óleos: acontece na manhã da Quinta-feira Santa. O óleo de oliva misturado com perfume (bálsamo) é consagrado pelo Bispo para ser usado nas celebrações do Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e Ordenação.

- Missa de Lava pés: 
acontece na Quinta-feira Santa à noite. O gesto de Cristo em lavar os pés dos apóstolos deve despertar a humildade, mansidão e respeito com os outros. Neste dia, faz-se memória à Última Ceia, quando Jesus instituiu a Eucaristia. Ainda na quinta-feira, o altar é despido para tirar da igreja todas as manifestações de alegria e de festa, como manifestação de um grande e respeitoso silêncio pela Paixão e Morte de Jesus.

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Tríduo Pascal: começa na Quinta-feira Santa. São três dias santos em que a Igreja faz memória da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.

- Jejum e abstinência de carne vermelha: realizados na Sexta-feira Santa, constituem uma forma de participar do sofrimento de Jesus. É um dia alitúrgico na Igreja, com a celebração da adoração da Cruz. Impera o silêncio e clima de oração, fazendo memória à paixão e morte do Senhor.

- Vigília Pascal:
 é realizada no Sábado de Aleluia, em que se vai anunciar a ressurreição de Cristo; sua vitória sobre a morte. 



FONTE: CANÇÃO NOVA

50 anos MCC


terça-feira, 3 de abril de 2012

Implantação da Pastoral da Comunicação na Diocese de Ilhéus


Numa reunião presidida pelo Bispo Diocesano de Ilhéus, D. Mauro Montagnoli, no dia 29 de março foi dado o pontapé inicial para implantação da Pastoral da Comunicação da Diocese de Ilhéus, contando com a presença de Jonildo Glória, Elias Reis, Odilon Neto, Yolando Sousa e Paulo Costa.
D. Mauro falou da necessidade da Pastoral na Diocese explanando suas ideias e ofereceu a todos presentes, textos e livros sobre a Pascom para que nas próximas reuniões já se tenha um esboço de projetos e metas a serem alcançados.



FONTE: DIOCESE DE ILHÉUS

O povo "à jusante" de Belo Monte.



Artigo de D. Erwin Kräutler
"Verdade é que um rolo compressor está passando por cima de todos nós. A promessa que Lula pessoalmente me deu no dia 22 de julho de 2009, segurando-me no braço e afirmando "Não vou empurrar este projeto goela abaixo de quem quer que seja" foi pura mentira. Falou assim para "acalmar" o bispo e livrar-se deste incômodo religioso que recebeu em audiência. O governo empurra sim Belo Monte goela abaixo!", escreve D. Erwin Kräutler, bispo do Xingu, narrando a visita pastoral, realizada no último mês de março, às comunidades do interior de Porto de Moz.
Segundo ele,"o pessoal da Norte Energia é para lá de arrogante. Se o colono não desocupa o seu sitio, a Justiça dá ordem de despejo e manda a polícia em cima do pobre, pois a Norte Energia considera toda a região propriedade sua e os moradores, que lá vivem desde os tempos do bisavô, invasores".
Eis o artigo. Há doze dias vivo a bordo do barco "Teresinha". Estou visitando as comunidades do interior de Porto de Moz. Não há telefone e muito menos existe acesso à Internet. Faz um bem enorme ficar de vez em quando sem essas comodidades. Tem-se a impressão de estar em outro planeta. Mas as pessoas queridas que encontro ao longo da viagem e que há décadas conheço e amo são a prova de que continuo no mesmo planeta Terra e na "minha terra" que é o Xingu. A primeira vez que singrei as águas dos rios, furos e lagos de Porto de Moz foi em janeiro de 1968. Lembro os antepassados do povo que agora me abraça. Revejo em muitos rostos os traços de seus avós. Antigamente as famílias vieram a remo. Hoje um motor "rabeta" diminui mais o tempo da viagem. Mesmo assim têm que enfrentar, às vezes por horas, um sol escaldante ou chuvas torrenciais.

O encontro com o bispo segue sempre o mesmo esquema. Começa com abraços, cantos, poesias, salva de palmas. Um ambiente festivo e descontraído, sem formalidades, etiquetas e protocolos. Sinto-me em casa. "Vós todos sois irmãos" (Mt 23,8). Também o bispo é irmão! É nestas ocasiões que mais me realizo como pastor, no meio dessa gente que amo e que - eu sei disso - também me ama. Todo mundo se conhece. Essa é uma das mais belas características das Comunidades Eclesiais de Base. Não há estranhos.
Faço questão de primeiro ouvir o povo, escutar a sua história, ser informado a respeito de suas esperanças e angústias, avanços e derrotas. São coisas alegres, estórias pitorescas, "causos" que partilham comigo, mas também assuntos tristes, experiências dolorosas. Sempre me admiro que esse povo, apesar de viver uma vida dura e penosa, nunca perdeu a alegria. Sabe sorrir! Aliás, que sorriso límpido, espontâneo, cativante! Nada postiço, só para agradar o bispo.
Falam do salão comunitário que conseguiram construir, da capela que pintaram, das reuniões semanais, do culto dominical e da novena que não deixaram de celebrar. Revelam também problemas familiares. Alguém denuncia a invasão de geleiras para roubar o peixe, até na época da piracema. "Vem com malhadeiras de malha tão fina que nem alma passa". Outro relata com orgulho experiências que fazem com as Reservas Extrativistas comunitárias, mas reclama do IBAMA que cai em cima deles por causa de uma tartaruga que pegam, enquanto faz vistas grossas diante das geleiras, do escandaloso roubo de madeira, de desmatamentos e outras agressões ao meio-ambiente, como por exemplo Belo Monte. "Aí dá até todas as licenças para acabar com o nosso Xingu".
Passo, em seguida, do papel de ouvinte para entrevistado. Jovens e adultos me bombardeiam com perguntas de todo tipo. Assuntos internos da comunidade, do setor, da paróquia, mas também da "conjuntura" econômica e política. Em todas as comunidades, a pergunta principal é sobre Belo Monte. Querem saber detalhes, já que o bispo vem de Altamira, do centro do monstruoso projeto. "Bispo, será que ainda tem jeito de impedir essa desgraça? Ouvimos falar que estão tocando Belo Monte a todo vapor. Dizem que o governo já gastou muito dinheiro e assim certamente não dá mais para parar a obra. Que o Sr. acha?" O que realmente devo responder a esse povo? Decido "abrir o verbo", sem meias-palavras:
"Verdade é que um rolo compressor está passando por cima de todos nós. A promessa que Lula pessoalmente me deu no dia 22 de julho de 2009, segurando-me no braço e afirmando "Não vou empurrar este projeto goela abaixo de quem quer que seja" foi pura mentira. Falou assim para "acalmar" o bispo e livrar-se deste incômodo religioso que recebeu em audiência. O governo empurra sim Belo Monte goela abaixo! E Altamira virou um caos em todos os sentidos. Nada do prometido saneamento básico, uma das condicionantes do IBAMA para dar licença para iniciar a obra! Não tem leito nos hospitais, não há vaga nas escolas, homicídios na ordem do dia, prostituição a céu aberto no centro da cidade. Os aluguéis de uma casa simples pularam de 300 para 2.000 Reais. Os preços de alimentos triplicaram. O transito é uma calamidade. Acidentes a toda hora".
"O que mais vou dizer a vocês? Fui várias vezes "ver" o canteiro de obras, quer dizer, queria ver, porque não me deixaram entrar, mas vi de longe os estragos já irrecuperáveis. Rezei missa com as comunidades ameaçadas de despejo. Os grandes fazendeiros receberam indenizações, mas o coitado do pequeno produtor e agricultor não sabe o que vai ser dele e de sua família. Arrasaram com uma vila inteira: Santo Antônio. O pessoal da Norte Energia é para lá de arrogante. Se o colono não desocupa o seu sitio, a Justiça dá ordem de despejo e manda a polícia em cima do pobre, pois a Norte Energia considera toda a região propriedade sua e os moradores, que lá vivem desde os tempos do bisavô, invasores."
"E para onde vai toda essa gente?" "Pois também eu quero saber. Prometem solução, mas nunca dizem que tipo de solução, onde, quando, de que jeito."
"E o povo de Altamira?" "Muita gente está com o coração despedaçado. Até comerciantes e empresários que antes colaram em seus carros adesivos "Queremos Belo Monte" andam hoje cabisbaixos. Quem pode contra a fúria da "Norte Energia"? Aliás "Norte Energia" é o próprio Governo, antes Lula, agora Dilma. Nunca houve diálogo com o povo daqui, nem com índios, nem com ribeirinhos, nem com o povo da cidade. O governo traiu o povo que o elegeu e ri-se de quem defende os índios, os ribeirinhos, os pobres atingidos pela barragem. Fala de preço a ser pago pelo progresso. Só que esse preço sacrifica o nosso povo e não as famílias de políticos em Brasília. Um terço de Altamira vai para o fundo e o resto vai ficar à margem de um lago podre, criador de carapanã e causador de dengue e malária".
"E os índios? É verdade que estão a favor da barragem?" "Não digo que estão a favor da barragem, estão a favor dos presentes que recebem. Muitos deles que antes viviam abandonados pelo governo e entregues à própria sorte, hoje têm todas as contas pagas no comércio, recebem cestas básicas e combustível e outros benefícios. O governo que negou aos índios se manifestarem em oitivas previstas em lei, agora se esmera em entupi-los de dinheiro para fechar-lhes a boca. Antigamente enganou-se os índios com espelhos e bugigangas, hoje milhões de reais são injetados nas aldeias para paralisar a luta indígena e cooptar as lideranças. O preço é muito alto. Não se mata mais índio a ferro e fogo. O dinheiro farto é a punhalada traiçoeira no coração das culturas indígenas e de sua organização comunitária. E o governo afirma em alto e bom som que nenhuma aldeia será alagada. Aldeia não será alagada, sim! O que a Norte Energia faz, é cortar a água aos índios e ribeirinhos da Grande Volta do Xingu. E o povo da Volta Grande vive e sobrevive da pesca. E tem mais. O que vai acontecer com uma aldeia a poucos quilômetros do canteiro de obras onde trabalham milhares de homens? É muito triste! Dá dó!"
"E nós? Como é que nós vamos ficar, nós que moramos abaixo da futura barragem? Ou, como essa gente de Brasília fala, 'à jusante'?"
"Bem, vocês sabem o que acontece se fazem uma tapagem no igarapé. Acima da tapagem, o que acontece?"
"O igarapé alaga a terra firme!"
"E abaixo da tapagem?"
"Ora, o igarapé seca!"
"Pois é. O Xingu abaixo da barragem vai baixar de nível e os igarapés e afluentes também. Há trechos em que o Amazonas vai entrar no leito do Xingu e nossos peixes que não se dão com a água barrenta do Amazonas vão morrer."
Por um bom tempo o povo ficou apenas me olhando e não me fez mais nenhuma pergunta. Também a conversa já passou da hora. Já é hora de almoço.
A celebração eucarística está programada para as 14 horas. A liturgia está preparada, os cantos escolhidos e as leituras ensaiadas. "Vai ter crisma" avisa-me uma catequista "e a turma precisa ainda se confessar com o bispo". Nada de vexame! Aqui ninguém é escravo do relógio. Terminada a confissão, outra catequista me informa: "As meninas precisam ainda se empiriquitar". Já são lindas por natureza, de traços indígenas ou ascendência negra, mas querem realçar ainda mais sua beleza. Há também senhoras entre as crismandas, com crianças pequenas. Uma me pergunta se pode, mesmo gestante, se crismar. "Sem dúvida, querida! O Espírito Santo descerá sobre você e a criança debaixo de seu coração!"
Apresento os crismandos a toda a comunidade chamando cada um(a) por seu nome: "Senhor, aqui estou!" é a resposta às vezes bem forte, outras vezes um pouco tímida, acanhada. Depois de dois anos de preparação para o sacramento, sabem que a resposta que recorda o que o Profeta Isaias falou quando Deus o chamou: "Eis-me aqui, envia-me" (Is 6,8) significa o compromisso publicamente assumido com a comunidade. No rito da imposição das mãos convido também catequistas e dirigentes para realizar comigo este gesto que remonta ao tempo dos apóstolos quando enviaram discípulos para anunciar e testemunhar o Evangelho (cf. At 13,1-4). Durante a unção com o santo crisma a madrinha ou o padrinho coloca "a mão com que assina o nome" no ombro da afilhada ou do afilhado selando com este gesto uma aliança: "Você pode contar comigo, não apenas hoje, mas pelo resto da vida!". Estou convicto de que muitos padrinhos e madrinhas realmente assumem um compromisso sério e não estão aí como personagens mudas que entram em cena só para figurar. Dou-me conta disso especialmente quando, depois da unção, a crismada ou o crismado pede a bênção de sua madrinha, de seu padrinho. É um momento comovedor. Graças a Deus, o nosso povo não tem vergonha de mostrar suas emoções.
O mais lindo nestas viagens, além do encontro com esse povo bom e simples, é conviver tão de perto com a criação de Deus. Doze dias se foram, desde que partimos de Altamira. A última noite da viagem passamos ancorados na boca do Rio Maxipanã, afluente do Xingu abaixo de Souzel. Chegamos ao entardecer. Cedo atei a minha rede. Noite calma e tranquila, sem carapanã. Acostumei-me a acordar antes do sol raiar e assim desfruto sempre do privilégio de ver o dia nascer.
Como é sublime essa hora matutina. As estrelas deixam de cintilar. As trevas se dissipam. O céu no oriente começa a alvorecer, mas a escuridão ainda predomina. A rubra claridade da aurora enfrenta as trevas. De minuto em minuto a cor purpúrea é mais suavizada com tonalidades acajus e alaranjadas.
O rio ainda dorme. Exala uma bruma esbranquiçada que cobre, como se fosse um véu,a várzea.
Na terra-firme da outra margem guaribas já uivam seu louvor matinal ao Criador. Cada bando tem o seu "capelão". É barbudo. Aqui o chamam de "gorgo". Dizem que as fêmeas permanecem em piedoso silêncio enquanto os gorgos bradam seu salmo milenar. De repente param, como se Deus tivesse lhes passado uma ordem. Silêncio.
Agora se ouve melhor o canto dos pássaros com suas melódicas modulações, umas mais graves e fortes, outras mais contidas e suaves. Chilreiam suas cantigas, também milenares. Um é apelidado de "peito de aço" porque seu assobio é tão forte que assusta a quem estiver por perto. Ouve-se o arrulho esperançoso das rolinhas. Pombinhas selvagens gorjeiam animadas sua saudação ao novo dia. Lá longe uma voz solitária e monótona de uma ave que não sei identificar. Sua cantiga parece com o cuco, aquele pássaro dos Alpes que canta só na primavera. Falam mal dele. Dizem que bota seus ovos em ninho alheio para outra mãe chocar. Não assume a responsabilidade por seus filhotes. Em vez de ficar preso ao ninho, imóvel em cima de ovos, prefere curtir uma vida de vagabundo e voar desimpedido para cantar aqui e acolá.
O sol já alcançou altura, mas ainda é um disco pálido por trás da neblina. Cada vez mais impõe o seu fulgor. Enquanto o primeiro raio não rasgar a cortina, pode-se vê-lo a olho nu. A bruma rapidamente se desvanece e o rio, a selva e os campos à sua margem, respiram o ar límpido de uma manhã ensolarada. O Maxipanã revela agora sua cor clara, contrastando com o verde-esmeralda do Xingu e a floresta ostenta sua fascinante exuberância nas múltiplas matizes de seu verdor.
Que maravilha! "Os céus narram a glória de Deus, e o firmamento proclama a obra de suas mãos. O dia transmite a mensagem a outro dia, e a noite conta a notícia a outra noite" (Sl 18,2-3).
Pena que os homens não se deixam mais encantar pela obra de Deus. Vedaram seus olhos e taparam o ouvido. Não enxergam mais as flores, nem ouvem mais o canto dos passarinhos. O sol e lua não nascem, nem se deitam mais! É a rotação do planeta Terra, pronto! Contemplar a natureza é perder tempo e dinheiro. Tudo é matéria prima para fazer negócios. Tudo vira mercadoria a ser explorada, ser comprada e vendida, exportada e consumida! Por isso os homens derrubam e queimam a floresta, represam e sacrificam os rios, assassinam os animais da mata, envenenam as plantas e os pássaros.
Os homens perderam o coração. Tornaram-se insensíveis, brutos, cruéis. Decidiram matar a vida.
Boca do Rio Maxipanã, São Pedro, março de 2012
(ihu Notícias Terça, 03 de abril de 2012)

Falece Dom Efraim Basílio Krevey

O corpo de dom Efraim Basílio Krevey está sendo velado na Catedral São João Batista, em Curitiba (PR).

 CNBBO corpo de dom Efraim Basílio Krevey está sendo velado na Catedral São João Batista, em Curitiba (PR).
Na madrugada desta segunda-feira, 3, por volta de 1h, morreu o eparca emérito Dom Efraim Basílio Krevey. Seu corpo está sendo velado na Catedral São João Batista, em Curitiba (PR). O bispo que em sua larga trajetória se distinguiu principalmente pelo seu perfil zeloso e empreendedor, deixa um grande exemplo e legado apostólico.
Dom Efraim sempre se destacou pela característica de ser um incansável incentivador do crescimento das eparquias no Brasil. Em 1972, iniciou a construção da sede eparquial, em Curitiba (PR), e esteve à frente de outras obras de caráter social, como a Casa de Repouso para Idosos Nossa Senhora do Amparo, no município de Marcelino Ramos (RS).
O eparca emérito também foi um grande incentivador da cultura, responsável pela construção do Centro Religioso-Cultural Ucraniano Poltava, em Curitiba (PR), além de participar, ativamente, de empreendimentos como os congressos dos profissionais e da juventude ucraniana no Brasil.
O bispo nasceu no dia 12 de dezembro de 1928, na colônia Saltinho, em Ivaí (PR), onde cursou os estudos primários. Em 1940, ingressou no Seminário São José, em Prudentópolis (PR), e posteriormente, em 1943, ingressou no noviciado dos Padres Basilianos, também, em Prudentópolis.
Dom Efraim Basílio Krevey tornou-se o segundo Eparca no dia 10 de maio de 1978, cargo que ele exerceu até o dia 13 de dezembro de 2006. Foi nomeado bispo coadjutor pelo papa João Paulo II, no dia 10 de dezembro de 2003, e foi ordenado bispo no dia 21 de março de 2004, em Curitiba.
Filósofo e Teólogo, por formação, atuou como reitor e professor no Seminário São José (RS). Em Prudentópolis, foi superior do mosteiro São Josafat e mestre do noviciado das Irmãs Maria Imaculada. Em 1951, no Colégio de São Josafat, em Roma, recebeu pelas mãos do bispo dom Ivan Butchko, a ordem diaconal, e em 1951 foi ordenado sacerdote, na igreja de São Sérgio e Bakcha, Roma.
Em 13 de fevereiro de 1972, em Roma, recebe do Santo Padre, o papa Paulo VI a ordenação de bispo, na Basílica de São Pedro, e em 1978 torna-se Eparca da Eparquia São João Batista, em Curitiba. Tornou-se bispo emérito em 2006, quando dom Volodemer Koubetch, é nomeado eparca.

As duas principais cerimônias de exéquias acontecem nos dias 3 e 4 de abril. O sepultamento será realizado na cripta da na Catedral São João Batista, em Curitiba (PR).


FONTE: CNBB